A Google lançou um site muito interessante para educadores (Google for Educators), onde explica como usar 12 de suas ferramentas em sala de aula. Como várias envolvem ambiente colaborativos online, seguindo bem a tendência da Web 2.0 (a nova rede muito mais social), é interessante dar uma olhada nessas idéias, principalmente se você está pensando em usar estratégias de EaD no Ensino Básico.
Quando clicar no menu esquerdo para abrir a página com explicações sobre a ferramenta escolhida, você verá um breve texto com idéias para a sala de aula, além de vários links, ou diretamente para a ferramenta, ou com idéias e tutoriais sobre como usá-las em sala de aula. Várias páginas apresentam testemunhos de professores de várias matérias, do Ensino Básico, e como eles utilizam essas ferramentas com os seus alunos.
O interessante da estratégia da Google é que eles estão criando um novo modelo de negócios, onde o educador fica com acesso a várias ferramentas gratuitamente, e a Google ganha seu dinheiro através de anúncios inteligentes e pouco invasivos, que aliás, até ajudam muitas vezes. Ou seja, o educador não tem que se sujeitar a ficar limpando sujeira quando quer usar ferramentas gratuitas. Essa visão bate bem com a minha visão do que deve ser o investimento em educação. Afinal, é de interesse de todos que as nossas crianças tenham acesso ao que existe de melhor, para formarmos cidadãos inteligentes, cultos, preparados para se tornarem líderes na sociedade. É o mesmo que vemos também com o pessoal do Moodle e de LMS gratuitos como o Teleduc ou o AulaNet. E fico feliz de ver que o Brasil tem bastante iniciativas desse tipo.
Explorem esse site. Vale a pena. Dá para ver algumas boas idéias de como começar a colocar alguns projetos à distância, e ao mesmo tempo se aproximar mais de seus alunos. No Ensino Básico, não dá para pensar em oferecer todo o currículo no formato EaD. O que eu observei nos dois últimos congressos dos quais participei nos Estados Unidos (AERA em São Francisco e NECC em San Diego, ambos na Califórnia) foi a adoção do formato EaD em cursos isolados, não no currículo completo. A idéia é oferecer algo para alunos que gostariam de fazer os cursos mas cujo horário não permite. Seja por que são atletas e estão participando de competições, seja por que esse curso específico não é oferecido em sua escola, e ele tem que buscar o curso em outro lugar.
A primeira coisa que me impressionou sobre a criação dessas escolas virtuais foi que a maioria das iniciativas americanas são em nível estadual. É o governo do estado que cria a escola virtual para oferecer esses cursos de aprofundamento e/ou avulsos. O governo opta por criar um departamento dedicado à criação, condução e manutenção dos cursos, ou terceiriza e contrata consultores especialistas, entrando em parcerias com organizações particulares ou pesquisadores nas universidades.
Lá nos Estados Unidos existe um fenômeno crescente chamado de "Home Schooling", onde muitos pais estão optando por ensinar seus filhos em casa ao invés de mandá-los para a escola. Aí é outro lugar de grande atuação da escola virtual.
Nessas escolas virtuais você encontra todo o material necessário para estudar as matérias, assim como ferramentas que possibilitam colaborar, comunicar, entregar trabalho, avaliar... ou seja, tudo que compõe um curso. Existem professores / tutores que ajudam e acompanham durante o curso, oferecendo orientações e feedback.
Mas o modelo sempre assume que por serem jovens e crianças menores, é essencial o acompanhamento presencial de um adulto qualificado (os pais também têm que se certificar para poderem ser o professor de seus filhos). As crianças e jovens não têm ainda maturidade e auto-motivação suficientes para trabalharem independentemente. Estão em uma idade extremamente social, onde fazer parte de um grupo faz parte da formação de sua identidade. Por isso que ao pensarmos em EaD no nível básico, temos que pensar em um modelo misto, complementar à experiência presencial que deve ser predominante nessa fase do desenvolvimento dos jovens e crianças.
. Ao trabalhar em um ambiente a distância, uma das coisas que mais toma tempo é o planejamento e a escolha das estratégias para trabalhar com os alunos. Quem já tentou simplesmente transferir uma aula expositiva para o ambiente online já deve ter percebido que isso não funciona muito bem. Simplesmente colocar uma palestra de uma hora e esperar que os alunos tenham a paciência de ficar assistindo não funciona.
O ambiente virtual pode ser solitário e assustador, principalmente para aquela maioria de alunos que não é naturalmente auto-motivada. Eles estão fazendo atividades obrigatórias para eles, cursos que nem sempre os atraem, mas que precisam fazer pois faz parte dos pré-requisitos para que ele ganhe o seu diploma. Como em qualquer classe presencial, o professor tem que procurar motivar o aluno, se não intrinsicamente, que seja uma motivação extrínsica mesmo! Pode ser nota, pode ser outra forma de recompensa onde o aluno fique motivado a terminar todas as tarefas.
Além de dar feedback constante ser importante para o aluno perceber que o professor está prestando atenção nele, o tipo de atividade também pode motivá-lo a participar. Pode ser uma discussão sobre um assunto polêmico (jovens adoram ter opiniões fortes sobre certos temas), pode ser a elaboração conjunta de alguma campanha de cunho social (para fazer os jovens sentirem que podem fazer uma diferença real), pode ser o design de uma nova tecnologia ou atividade... enfim... tentar fazer algo que o aluno enxergue como realmente significativo para ele.
Aí você pode pensar: "Mas isso é válido para atividades presenciais também!" E é verdade. Envolver o aluno e fazê-lo enxergar o valor do que ele está aprendendo sempre é uma boa estratégia. Só que no ambiente virtual, isso se torna mais forte ainda. Tem tantas ferramentas de colaboração e tantas possibilidades de participação individual e coletiva no ambiente virtual, que o aluno não vai querer que o professor centralize todo o processo de aprendizagem em si. Ele vai querer participar e ser ouvido. E vai querer sentir que o que diz é importante e respeitado, tanto pelos colegas como pelo professor. E isso é difícil de se fazer em uma sala cheia de alunos. Não dá para deixar todos falarem. Não tem tempo nem espaço para isso, senão a coisa não anda, a aula não sai do lugar.
Temos que usar o ambiente a distância para fazer as coisas que não podemos fazer no presencial, deixando um complementar o outro, e os dois juntos contribuírem para a aprendizagem de tudo que é esperado do aluno hoje. Temos que olhar para os ambientes, tanto presencial como virtual, ver que ferramentas de trabalho oferecem, e tirar o máximo proveito de cada um.
No meu mestrado eu fiz dois cursos completamente a distância. Um eu achei ótimo. Nunca estudei tanto em minha vida e nunca fiquei tão motivada. O outro, já foi uma experiência completamente diferente. Não gostei. Me senti abandonada e desprezada, como se o que estivéssemos aprendendo não tivesse realmente valor. Qual foi a diferença?
No primeiro, o professor estava constantemente presente. Colocava comentários, atribuía tarefas, dava feedback, exigia que participássemos do fórum e dava nota pela participação. Ele mesmo não "deu aula", só ficou nos monitorando enquanto construíamos o nosso conhecimento, nos orientava e dava feedback para sabermos se estávamos no caminho certo ou não. Eu não saía do curso. Entrava todo dia para ver o que os colegas estavam colocando, para poder também comentar. Foi super motivante.
Já no segundo curso, o professor nunca dava retorno. Colocávamos as coisas lá, mas nunca tínhamos certeza de que era aquilo mesmo que deveríamos estar fazendo pois as orientações não ficaram claras. Se eu não fosse extremamente auto-motivada, acho que nem teria terminado o curso.
O professor continua com um papel fundamental nessa modalidade de ensino, só que esse papel muda. Ele agora é o mentor, o orientador. O papel dele é fazer o aluno correr atrás do conhecimento, aprender a se auto-organizar, planejar, construir algo. Canalizar seu gosto pela sociabilização e usar essa energia para aprender. Vou colocar aqui uma cópia de um texto que enviei para uma lista que fala sobre o Laptop $100. Eu tenho percebido que muitas pessoas estão usando o modelo chamado Webquest, e que muitos estão perdendo o ponto principal da atividade elaborada por Bernie Dodge em 1995.
Acabamos de participar de um projeto fantástico promovido pelo ProNead chamado DNA 2006 (www.dna2006.org). Foi um evento nacional, totalmente virtual e que entusiasmou muito os alunos. Só na nossa escola tivemos 50 equipes de 4 a 5 alunos participando. Digamos que o evento mobilizou a escola por uma semana e meia. Os organizadores fizeram um trabalho realmente fantástico. A única coisa que me preocupa é que eles chamaram o desafio de Webquest, mas na realidade faltaram elementos básicos comuns a todas as Webquests. Por isso fiquei mais preocupada em discutir os elementos fundamentais, segundo o que ou vi do próprio Bernie Dodge.
Eis o que disse no meu texto à lista:
"Eu venho trabalhando com WebQuests desde 1998, quando estava fazendo mestrado e doutorado em NY. Já venho treinando professores nessa estratégia desde então, e gostaria só de alertar para algumas falácias comuns que ocorrem com qualquer idéia que começa a ficar muito popular. Por parecer simples, a maioria das pessoas cria WebQuests que estão tecnicamente certas, mas a parte principal, que é uma tarefa desafiadora, acaba não acontecendo. Nem os processos cognitivos para os quais a estratégia foi desenvolvida.
Ano passado eu fiz um workshop com o próprio Bernie Dodge, promovido pelo Senac SP, e ele falou que para ele, 90% das WQs não são o que ele esperaria ver. Tanto é que ele criou uma ferramenta chamada Questgarden (http://webquest.org/questgarden/author/), que espero que logo tenha em português, justamente para ver se ao criar webquests usando essa ferramenta, ajudaria a aumentar a qualidade do produto final. Nessa ferramenta, ele ajuda o autor passo a passo, inclusive falando que partes deve desenvolver primeiro, embasando cada passo com a teoria pedagógica que fundamenta o por que daquele passo, e dando dicas e modelos a serem seguidos. Quando tiver essa ferramenta em português, eu sugiro que recomendemos que todos os professores a utilizem para desenvolver suas WebQuests.
O principal da WebQuest é escolher um tema relevante, que provoque discussão, reflexão, pesquisa, análise, autenticidade. Depois, o ponto chave é a Tarefa! Essa tarefa deve encorajar processos de pensamento crítico, julgamento, design (habilidades do mundo real, não do mundo fictício da escola). O aluno deve ser confrontado com um problema que seja difícil demais para ele resolver sozinho. Isso encoraja o trabalho em equipe. Ele aprende a ficar co-dependente de colegas que também contribuem com seu conhecimento, experiências, habilidades. Assim os alunos aprendem que juntos podem mais do que sozinhos. Aí entra forte a colaboração. Outra habilidade muito valorizada no OLPC.
E o produto pedido tem que forçar os alunos a internalizarem o que pesquisaram e transformarem em algo que é de autoria deles. Evitar algo que possa levar ao "Copiar - Colar". Textos são bons, contanto que sejam originais. Melhor ainda são posters, cartazes, panfletos, histórias em quadrinhos, filmes, debates, mesas redondas... enfim, produtos e modos de apresentação que tornem impossível simplesmente regurgitar a informação.
Lá no Colégio já estamos fazendo WebQuests em várias séries, sobre vários assuntos (História, Geografia, Biologia, Inglês, Português...). Os alunos adoram trabalhar dessa maneira! Se matam e trabalham muito mais do que antes quando tinham o mesmo assunto da forma tradicional. Envolvem os pais, outros professores, pesquisam livros na biblioteca, são super criativos. É uma delícia de ver. E o índice de aprovação pelos alunos ao fazer essa atividade é de 90% (ou seja, 90% deles recomendam que se repita essa atividade com os alunos no ano seguinte). Sempre fazemos uma avaliação para os alunos poderem nos dizer o que acharam. Essa avaliação é sempre importante ao implementar um novo projeto.
Nos exemplos de WQs para os quais a wiki está apontando, eu notei que falta justamente a parte de avaliação. Essa é outra parte fundamental em uma boa WQ. Geralmente usamos rubricas que os alunos usam para medir ao longo do processo se estão indo no caminho certo ou não. As expectativas do professor são explicitadas desde o começo, e ele tem parâmetros para trabalhar a auto-avaliação. Isso ajuda o aluno a chegar em um produto final de muito maior qualidade."
Além disso, toda a WQ tem 5 elementos obrigatórios: Introdução, Tarefa, Processo, Avaliação e Conclusão.
A Webquest é uma das atividades mais fáceis e mais ricas para se começar a trabalhar com EaD no Ensino Básico. O formato exige as mesmas habilidades de planejamento que qualquer boa aula, o professor só precisa criar o conteúdo, pois existem templates prontos para ele montar a Webquest (quem sabe o próprio Questgarden) e pedir para alguém publicar (provavelmente no site da escola). A curva de aprendizagem para o professor é baixa.
No entanto, se a Webquest fôr bem montada, dentro da visão do Bernie, os alunos realmente aprendem a trabalhar via web e usando as habilidades do século XX!.  Ao trabalhar com ferramentas como as que venho descrevendo, o professor vai aprendendo a se adaptar a uma nova maneira de ensinar. Essa é uma excelente forma de capacitar o professor em novas metodologias pedagógicas. Aprender fazendo. E assim como nós aprendemos melhor dessa maneira, devemos fazer os mesmos para os nossos alunos.
Hoje não precisamos mais de cidadãos que conhecem muitos fatos de cabeça. Qualquer um tem acesso fácil e rápido a muito mais informações do que qualquer um de nós seria capaz de guardar, mesmo os geniozinhos. Hoje, quem se dá bem é aquele capaz de se adaptar, mudar junto com o meio em que vive.
Na palestra do governador de Maine no NECC, ele falou uma coisa que realmente nunca paramos para pensar. Esse governador foi responsável por colocar laptops nas mãos de todos os alunos de 7.a série em diante no estado de Maine. E ele teve muitas objeções, mas ele acreditava muito no poder de colocar a ferramenta certa nas mãos de alunos, na proporção 1:1. Ele teve essa idéia depois de almoçar com ninguém menos do que o Seymour Papert (ele falou que o bom de ser governador é que raramente alguém recusa convites para o almoço!). Bom, o que ele falou foi o que um amigo dele falou para ele: "Muita gente acha que na teoria da evolução de Darwin, quem sobrevive é o mais forte. Mas não foi isso que Darwin quis dizer. Ele falou que quem sobrevive é o que é o mais adaptado - survival of the fittest - o que consegue mudar junto com o seu meio."
É o que está acontecendo agora, e se aplica às instituições de ensino. Temos que pensar e trabalhar de modo diferente, de forma mais colaborativa, globalizada, onde mais pessoas se tornam autores e publicam suas visões e opiniões para todos verem. Como professores, temos que oferecer oportunidades para os alunos aprenderem a fazer isso com responsabilidade, valores e segurança. Eles têm que aprender a se virar em um novo mundo, saber quais são as possibilidades e limitações. Saber o que podem e não podem fazer.
As ferramentas de trabalho à distância online permitem justamente treinar essas habilidades. Podemos tanto usar as ferramentas LMS como outras novas ferramentas soltas que estão aparecendo por aí. A Web 2.0 que tanto estão falando é justamente sobre essa nova filosofia da web. Eu li o artigo do criador do termo Web 2.0, e ele explica que Web1.0 faz referência a todos os sites e ferramentas que centralizam publicação de conteúdo. Web 2.0 se refere a sites e ferramentas como o Google, onde cada um pode ser autor de conteúdo e contribuir para o crescimento do conhecimento. Um grande exemplo disso é a Wikipédia. Maior exemplo de colaboração na base da confiança não existe. É um projeto enorme, global, que está dando muito certo.
Outra revolução nessa forma de trabalho é o RSS (really simple syndication), que permite que vc se inscreva em um site e recebe as novidades automaticamente. Com isso, ferramentas como podcasts e blogs estão ficando extremamente populares.
E os nossos alunos, essas criaturas extremamente sociais, mergulham nesse tipo de ferramenta com gosto e facilidade. O que nós educadores temos que fazer é aproveitar que eles gostam de trabalhar assim, e ensiná-los a canalizar o seu esforço para uma atividade de aprendizagem mais formal (aprendizagem informal acontece direto). Podemos aproveitar para ensiná-los a aprender a aprender (que é o que o Papert idealizou), para que possam progredir cada vez mais.
Essas ferramentas é que possibilitarão aprender essas novas habilidades. É a tecnologia permitindo fazermos algo que antes não podíamos fazer, ou que se fazíamos, era de uma forma mais limitada. É uma aprendizagem em um ambiente autêntico, com um público de verdade. Não é mais simulação. É o mundo no qual vão se integrar. Está na hora da educação derrubar as suas paredes e abrir as portas para o mundo através do ensino online.
Mas o meu entusiasmo pelo EaD não tira o valor do presencial. A escola continua a ter e sempre terá um papel muito importante se se mantiver atualizada. Ainda precisaremos de um lugar para ensinar os alunos a usarem bem esses recursos, com adultos experientes para orientá-los. Aprender a aprender não acontece sozinho. O aluno tende a só querer fazer o que é divertido. A fazer as coisas de sua maneira. E para conviver bem em sociedade, ele precisa de alguém para educá-lo e ensiná-lo a respeitar os outros e trabalhar mesmo quando não é tão divertido assim.
O equilíbrio é sempre a melhor meta. Precisamos buscar o que cada meio de educação tem a oferecer de melhor, e aproveitar cada uma de forma integrada.   Continuando o tema que começei no post anterior, vou falar um pouco mais sobre uma das ferramentas mais legais que já encontrei em um LMS. No caso, é o portfólio do Teleduc. O Teleduc é um LMS gratuito que pode ser baixado do site da Universidade de Campinas (Unicamp), pois foi criado, e é mantido e atualizado pelo NIED. O bom é que essa ferramenta está sempre evoluindo e sendo atualizada, e eles escutam o que precisamos. Já atenderam a alguns pedidos meus.
Outra coisa que eu gosto do Teleduc é a filosofia pedagógica por trás da ferramenta. Sua navegação é simples e dinâmica, e podemos customizar a ferramenta para ficar com a cara do nosso site. Quem não conhece, vale a pena explorá-la.
Voltando ao portfólio. Quando criamos um curso e inscrevemos os alunos, podemos criar grupos para facilitar o gerenciamento das atividades. Podemos permitir maior ou menor controle desses grupos por parte dos alunos. Fica a critério dos formadores do curso (formadores é o termo usado para professores).
A ferramenta gera portfólios individuais e de grupos automaticamente. O interessante é que só vemos o portfólio do aluno depois que ele coloca algo lá e disponibiliza para nós formadores. Então se ele quiser colocar coisas lá mas esperar para mostrar para o professor, ele pode. Isso dá a ele a liberdade de desenvolver e amadurecer um projeto antes de apresentá-lo. Ele também tem a escolha de mostrar o seu trabalho para os colegas do grupo, antes de mostrar para o professor. Os colegas podem comentar no próprio portfólio e ajudar a aperfeiçoar o projeto, e só depois mostrar para o professor.
Esse tipo de comentário ajuda os alunos a aprenderem a avaliarem por si a qualidade de seu trabalho, e incentiva a construção social do conhecimento (algo que os construtivistas adoram - graças a Vygotsky). Esse tipo de colaboração é muito bom pois os alunos aprendem a valorizar a opinião do colega, ou pelo menos aprendem a ouvir melhor os outros.
Ajuda muito se o professor colocar expectativas bem claras do que é um bom projeto, e como é um modelo de excelência do produto esperado. Assim os alunos terão parâmetros nos quais se basear. Para isso eu gosto muito de usar uma rubrica (um tipo de avaliação onde os critérios subjetivos são objetivados e mensuráveis, e os alunos podem ver se estão dentro dos parâmetros excelentes ou se caem na categoria de mediocridade). A rubrica em si, para quem não conhece, exige um pouco mais de explicação, por isso não vou entrar nesse detalhe agora.
Em suma, usar o portfólio para o aluno poder construir um projeto colaborativamente e ter oportunidade de comentar e receber comentários durante o processo é um excelente uso pedagógico de uma ferramenta de EaD. Quem nunca experimentou deve experimentar! Qualquer dúvida, pode entrar em contato.  Continuando no tema de capacitação, os professores hoje precisam atualizar as ferramentas com as quais trabalham, como acontece com as outras profissões. Nào dá para ficar parado no tempo.
E hoje não podemos negar que a tecnologia faz parte de nossa vida, e que ela está cada vez mais ubíqua. Não tem como não usar. Até para ir ao banco, tirar dinheiro, fazer um telefonema, usar um celular... onde quer que viremos, vemos algum novo aparelhinho. E não estou falando de computadores, que já causaram um enorme impacto. O mais impressionante hoje da tecnologia é sua mobilidade e acessibilidade. Estamos conectados de alguma forma, cada vez mais. Temos acesso a informações que hoje até chegam a confundir. O que fazer com tanto conhecimento, tanto acesso?
E as escolas também precisam repensar seu papel, o que precisam fazer para "educar". Hoje não é mais o único ambiente de aprendizagem, talvez seja só um lugar onde a aprendizagem é mais formalizada. Mas isso está mudando aos poucos. Temos que pensar como melhor aproveitar o tempo presencial onde professor está junto a seus alunos, e deixar para a educação a distância (online em muitos casos) fazer a parte que pode ser mais automatizada, como gerenciamento de notas, faltas, provas, materiais, etc.
Ao aprender a trabalhar a distância, o professor é forçado a reaprender seus métodos pedagógicos. Não dá para trabalhar online como ele trabalha presencialmente. E com isso, o seu presencial também se beneficia. Ele aprende a envolver mais os alunos, dar feedback mais individual, trabalhar mais como um maestro de uma orquestra onde os instrumentos são as mentes de seus alunos, e ele ajuda-os a chegar a uma aprendizagem mais profunda e mais significativa para eles.
Mas falar de educação a distância no ensino básico não é o mesmo que falar de EaD para adultos. Estamos falando de crianças, que precisam de muito mais suporte para aprender as bases da aprendizagem. Modelos de escolas virtuais nos Estados Unidos mostram que não é para pensar que o curso inteiro vai ser a distância. Escolas virtuais estaduais lá oferecem cursos de aprofundamento que normalmente a criança não teria acesso, ou cursos normais para atletas que de outra forma não conseguem conciliar o horário de estudo. O mesmo vai se aplicar aqui. EaD no Ensino Básico vai ser no formato semi-presencial. Temos que ver atividades onde a tecnologia possa economizar nosso tempo, aumentar nossa flexibilidade, dar mais acesso a quem antes não tinha condições de fazer a atividade.
Um bom exemplo de uso de EaD é para fazer atividades em grupo. Os LMS (Learning Management Systems como o Teleduc, Moodle, Blackboard, WebCT...) disponíveis são ótimos ambientes que permitem ao professor gerenciar uma classe grande, acompanhar mais de perto o que cada um está fazendo, e ainda oferecer uma maneira virtual dos grupos se reunirem (via chat ou forum, utilizando portfolios), economizando o tempo dos alunos que podem agora se reunir a partir de seus computadores em casa, não mais tendo que ficar combinando um horário, vendo carona, coisas do tipo. Essas atividades agora podem ser feitas paralelas às aulas normais, e assim o professor não tem que tirar tempo precioso de sala de aula para ficar gerenciando os alunos. Tudo é feito depois com calma, em casa. E assim ocorre o fenômeno chamado de compressão de tempo. Você consegue fazer muito mais no mesmo tempo disponível. E treinar outras habilidades que antes não eram praticadas na sala de aula, pois o aluno normalmente senta passivamente enquanto o professor dá a sua aula expositiva.
O ensino está mudando, e EaD vai se tornar uma parte cada vez maior do processo. Os professores agora precisam correr para se capacitar para usar bem essa metodologia, e não apenas pensar em reproduzir o que estão fazendo hoje, senão vai ser como no começo da televisão, onde apenas filmavam programas de rádio e teatro, até perceberem que eles tinham muito mais na mão e começaram a fazer filmes que fizessem bom uso do que a televisão tinha a oferecer. Mesmo sendo esse um tema já bastante discutido, sinto a necessidade de trocar idéias, compartilhar algumas visões de novos modelos que minha experiência me mostrou e agregar as pessoas que trabalham nessa área para que juntos possamos pensar em estratégias que sejam proveitosas para todos, mesmo estando em diferentes áreas (seja universidade, curso de pós, escola pública, ONGs...).
Trabalho em uma escola particular que é lider nessa área, e que chegou a essa liderança justamente por que sempre investiu muito na capacitação de seus professores, em todas as áreas, mas especialmente agora na área de uso de tecnologia na educação.
Para começar, vou contar um pouco da minha experiência para contextualizar um pouco o que vou falar. Me formei em Ciências Biológicas pela USP em 1987, e trabalhei por 8 anos na Graded School no Morumbi, em São Paulo. Foi lá que começei a usar tecnologia na educação. Por ser uma escola americana, tinha muitos recursos e software disponível. Logo já fazia meu diário de forma eletrônica, tinha software de simulação de ciências, e até software para ajudar a os alunos a organizarem um projeto que apresentavam na feira de ciências, ensinando a metodologia científica e de pesquisa.
Depois, em 1995, começei a trabalhar no Colégio Bandeirantes como professora de Biologia do Ensino Médio e Fundamental. Em 1998 fui uma das coordenadoras de um novo projeto na área de Biotecnologia, e começamos a experimentar com algumas ferramentas de trabalho em rede e forum.
Em 1998 fui estudar em Nova York, na Columbia University. Lá fiz M.A. Ed.M e Ed.D (mestrados e doutorado) em Instructional Technology and Media. Enquanto estudava lá, tive oportunidade de trabalhar no Institute for Learning Technologies (www.ilt.columbia.edu) em um projeto de capacitação de professores em tecnologia educacional. Era um projeto de 5 anos, e trabalhamos com 33 escolas públicas na cidade de New York. Também cheguei a dar curso semi-presencial a respeito na Marymount College em New York. E foi nessa época que começei a participar do projeto de educational outreach da Columbia University, chamado Earth2Class (www.earth2class.org), que continua até hoje, inclusive com recursos do próprio National Science Foundation, e também trabalhamos com capacitação de professores na área de ciências e integração de tecnologia no currículo. Esse programa é oferecido por crédito tanto pelo Teachers College, Columbia University, como pela Saint Thomas Aquinas College em New Jersey. Foi nesse programa que trabalhamos com EaD usando tanto videoconferência como o desenvolvimento de um portal.
Hoje trabalho como Coordenadora de Tecnologia na Educação aqui no Colégio Bandeirantes, e participo de vários congressos e grupos de discussão a respeito de melhores práticas no uso de novas tecnologias, inclusive um grupo moderado pela Fundação Bradesco e que hoje está dentro da ABED.
Um de meus principais objetivos é criar um curso de capacitação de professores no uso de novas tecnologias (já temos esse curso criado aqui no Band) que traga uma mudança sistêmica e crescimento profissional para seus participantes, e que seja feito especialmente para um colégio de nível básico, não restrito ao nível universitário. Aqui criamos um curso de 2 anos (4 módulos), que em outro post detalharei melhor.
Uma das coisas que eu gostaria de começar a discutir é justamente uma falha grande que vejo que ocorre aqui no Brasil, e que vi funcionar muito bem nos Estados Unidos. A falha é a falta de parceria entre Universidade e Escola (pesquisador e praticante). Muita teoria é construída e compartilhada na universidade, mas com pouca oportunidade prática de colocar esse teoria em cheque. E essa teoria chega muito pouco a quem está dando aula no nível Básico, pois as tarefas do dia a dia permitem pouco tempo para maiores estudos e reflexão.
Por exemplo, criei um curso de capacitação, juntamente com uma equipe de 12 professores muito capazes, baseado tanto em experiências de sala de aula como em teorias estudadas nos meus cursos de mestrado e doutorado. É um curso que é ministrado dentro da própria escola, dentro do horário semanal do professor, e cujas discussões são orientadas para resultadas práticos, aprofundados pelo apoio em teorias de aprendizagem e de práticas pedagógicas. A idéia foi criar um curso que fosse fácil de ser adotado por outros (outras escolas) também, pois ele é aberto o suficiente para as discussões e reflexões serem relevantes à cultura da escola que o adotar. Queríamos criar um modelo replicável e sólido. Resultados já estão comprovados, pois já ministramos o curso 2 vezes (4 anos), e vemos o resultado na melhora de desempenho dos professores participantes e seu uso de tecnologia.
O que falta para nós agora é encontrar uma parceria com uma universidade de forma a poder certificar esses professores (seja uma pós lato sensu ou como curso de extensão). Assim formalizaria melhor o modelo e o professor poderia fazer um curso de especialização "in house". A vantagem desse tipo de curso, que até hoje não vi igual, é que para a escola o professor estaria dedicando tempo na própria escola, estaria fazendo trabalhos que seriam aplicados diretamente em sala de aula e estaria se tornando um profissional mais qualificado. Para a universidade parceira, a vantagem seria ver a aplicação direta de suas pesquisas, e oportunidades para desenvolver teses e dissertações na área de pesquisa educacional.
Eu ainda tenho muito a falar a respeito desse assunto, mas como um primeiro post, vou parando por aqui. Na realidade essa é a primeira vez que uso blog, e essa é outra tecnologia que estou querendo aprender a usar e ver como pode ser usada em projetos aqui dentro da escola. 
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